Resumo
Este relato de experiência descreve a articulação de um protocolo intersetorial de encaminhamento da Atenção Primária à Saúde (APS) para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), no município de Florianópolis/SC, e emerge do reconhecimento da escolaridade como determinante social da saúde e da APS. A iniciativa foi precedida por experiências locais de articulação entre equipes de saúde e núcleos da EJA, que evidenciaram o potencial do retorno à escolarização como dispositivo de cuidado e autonomia. O protocolo, institucionalizado em 2025, integra o encaminhamento para a EJA ao prontuário eletrônico, orienta quanto à proposta pedagógica, aos direitos dos estudantes e às estratégias de comunicação acolhedora, além de organizar fluxos de busca ativa pelas escolas. No período analisado, foram registrados 55 encaminhamentos, com 34 matrículas efetivadas (61,8%), apontando o potencial do protocolo para ampliar o acesso à educação, reduzir iniquidades e fortalecer a intersetorialidade entre saúde e educação.
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